Papa estende projeto missionário para Argentina e diz que Igreja ‘não é ONG’

25/07/2013
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"A Igreja não e uma ONG", disse o papa Francisco no encontro extraordinário que manteve com aproximadamente 40 mil jovens argentinos, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.

Ao afirmar que a Igreja Católica Romana não é uma organização não governamental, papa referiu-se ao caráter missionário dessa instituição, cujo perfil é o de ser, ao mesmo tempo, uma instituição religiosa e um ente político.

Como consequência disto, recomendou que a Igreja "fuja do clericalismo” e também de valores "mundanos", tais como o egoísmo, a falta de solidariedade e a violência. Destacou que as maiores vítimas desse modelo são os jovens e os idosos, ou seja, o que chamou de "dois extremos da vida". Observou ainda que esse modelo social está levando a juventude ao desemprego e ao desespero que afeta também os idosos.

Sempre em tom coloquial, Francisco anunciou que a Jornada Mundial da Juventude terá continuidade, de certa forma, na Argentina a partir de agosto próximo. O papa determinou aos bispos que levem por todo o seu país as imagens de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, e do Cristo crucificado, conforme o desenho de São Francisco de Assis.

Fortalecimento

Uma das maiores preocupações sociais e políticas do papa é a de fortalecer o poder de pressão da Igreja Católica Romana tanto diante da opinião pública quanto diante do governo peronista da presidente Cristina Kirchner. Até hoje a imagem do episcopado argentino continua prejudicada por causa do apoio da maioria dos seus integrantes aos militares golpistas.

Apenas uma pequena minoria dos bispos colocou-se frontalmente contra a ditadura. O próprio papa chegou a ser apontado como colaborador do regime militar, e várias fontes afirmam que ele foi omisso diante da prisão de alguns de seus colegas sacerdotes.

Quanto ao fortalecimento da Igreja argentina, o papa pretende que ela se apresente com mais força política diante do Estado, sem, contudo, beneficiar-se com qual quer privilégio. Até o governo do presidente Carlos Menem, as dioceses argentinas recebiam um subsídio financeiro pelo número de estudantes admitidos em seminários católicos.

Plano estratégico

O novo papa traçou e a já põe em prática um novo plano estratégico para a Igreja Católica latino-americana: em primeiro lugar, a prioridade é a de reforçar a ação missionária eclesial, começando pela juventude; em segundo lugar, dará apoio a projetos que representem a superação da fome e da miséria.

Reforçado externamente, Francisco deseja ter força suficiente para vencer as suas batalhas internas para reformar o catolicismo.
 
 
https://www.alainet.org/pt/articulo/77972
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